Pesquisa comparou a eficácia de cirurgia e cirurgia aliada à quimioterapia com o medicamento Gemcitabine no combate ao câncer de pâncreas e aponta para maior sobrevida dos pacientes com utilização dos medicamentos. Os resultados do estudo serão apresentados no 13th Congresso Anual Europeu da Sociedade Internacional de Farmacoeconomia (ISPOR, do inglês), que acontecerá na cidade de Praga entre 6 e 9 de novembro de 2010.
O Gemcitabine (Gemzar® produzido pela empresa farmacêutica Lilly) é amplamente utilizado no Brasil para o tratamento de neoplasia de pâncreas avançada. Segundo Tobias Engel, médico oncologista e pesquisador da MedInsight-Evidências os resultados do estudo são relevantes porque contribuem com dados que mostram os benefícios desse medicamento, que apesar de sua ampla utilização, ainda não estavam claros.
O câncer de pâncreas é um dos tipos mais agressivos com alta taxa de mortalidade devido à difícil detecção que acarreta diagnósticos tardios. No Brasil, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) de 2008, a ocorrência do câncer de pâncreas representa 2% - cerca de 9 mil casos por ano - de todos os tipos de câncer, sendo responsável por 4% das mortes pela doença. Apenas no ano de 2008 foram 6.715 mortes.
O estudo foi baseado na meta-análise de 500 casos de tumores em estágio inicial e constatou aumento da sobrevida global (tempo de vida) e da sobrevida sem progressão (tempo de vida sem apresentar doença) nos casos em que se realizou o tratamento quimioterápico com Gemcitabine após a cirurgia. “Os resultados da pesquisa demonstraram que o risco de progressão da doença diminuiu em 41% e houve também uma diminuição no risco de morte de 19%, aumentando assim a sobrevida global dos pacientes que utilizaram a medicação”, explicou Engel, um dos autores do estudo.
Na avaliação do oncologista os resultados são importantes porque podem ser utilizados para padronizar e orientar condutas médicas em ocorrências de câncer de pâncreas. “Sabe-se que, ainda são poucos os estudos avaliando o uso de Gemcitabine neste cenário. Diante de poucas opções terapêuticas eficazes, após a cirurgia, o uso de quimioterapia com Gemcitabine deve ser considerado já que os resultados foram promissores”.

